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Geraldo Borges Costa

Geraldo Borges Costa

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Carta ao presidente

Este depoimento é uma carta enviada ao presidente da CPFL, Wilson Ferreira Jr., escrita por Geraldo Fernando Borges, técnico de serviços da distribuição e filho de Geraldo Borges Costa, funcionário aposentado da companhia.

"Nasci e criei-me dentro da companhia. Meu pai começou como menor aprendiz em Manduri (SP). Naquele tempo era tudo precário, a segurança era quase nada, ou nada. Logo depois ele foi trabalhar em Óleo (SP), cidade próxima a Manduri, onde somente havia um funcionário: meu pai.

Na cidade de Óleo meu pai se casou e, tempos depois, foi transferido para Águas de Santa Bárbara (SP). Minha mãe compartilhava o trabalho com meu pai, pois naquela época as contas de energia eram pagas no escritório da empresa, pois não havia sistema de bancos e, quando meu pai se ausentava, minha mãe recebia as contas. Tempos depois meu pai foi transferido para a cidade de Manduri, retornando à cidade onde iniciou seu trabalho na CPFL.

Naquela época a empresa emitia uma lista de corte de energia, pela qual meu pai avisava os consumidores que seriam cortados. Ao avisar os consumidores, meu pai ouvia os lamentos deles, pedindo para aguardar mais um pouco, pois estavam sem trabalho e sem dinheiro até para comer. Muitos até pediam para meu pai quitar a conta e que depois acertariam com ele. Mas muitos esqueciam e a coisa ficava por isso mesmo. Quando meu pai se deparava com crianças pelo chão, aquilo o comovia muito. Alguns não esqueciam e pagavam meu pai, alguns entregavam o dinheiro na hora.

Lembro também que, ao cair da tarde, as lâmpadas tinham que ser acessas, acionando a chave com um 'bastão de bambu', fechando o contato, e no dia seguinte era preciso fazer o inverso, pois não tinha a chave lux control ou relés fotoelétrico.

Havia também um veículo que o deslocava para outra cidade para fazer a substituição das lâmpadas. Quando ocorria de o carro não comparecer, as lâmpadas queimadas se acumulavam e os consumidores reclamavam. Meu pai tinha outro 'bastão de bambu', esse para trocar lâmpadas. Esse bastão tinha a extremidade lascada em formato de 'cone'. Com ele, do solo, ele substituía a lâmpada queimada.

A comunicação entre as cidades era muito precária. O telefone era do tipo 'manivela' - o que diferenciava a chamada de uma cidade para outra era a quantidade de voltas dadas. Para a comunicação em campo, meu pai utilizava o telefone portátil, também a manivela, o qual tinha dois fios que eram conectados, pois naquela época os fios de telefone da companhia corriam juntos, isto é, logo abaixo das linhas de distribuição.

Muitos locais de ponto-chave de manobra possuíam uma escada ou um bastão para executar as manobras, isto é, ficavam em casas de terceiros ou no campo, camuflados em moitas, pois muitas vezes era preciso ir de táxi para atender os defeitos, e não tinha como transportar os mesmos.

Em muitos locais, para atendimento de defeito, não tinha como chegar com escada até os postes, e para subir nos postes, que eram de madeira, utilizava-se o 'ganchão' ou 'esporas', equipamentos que eram encaixados nos pés para o eletricista poder subir nos postes escalando-o. Ao chegar ao defeito, a comunicação era tão precária, mas tão precária, que quando se conseguia contato com o centro de operações, naquela época despacho de carga, meu pai comunicava: 'Chegamos no local. Vou executar os serviços. Pode religar em 30 minutos'. Ele tinha que executar o serviço nesse tempo, pois, ao terminar, a demora era tanta para a comunicação que ele já estipulava o tempo. Que loucura!!! Ele tinha que fazer ou fazer. E era chuva e mais chuva...

Atualmente há equipamentos modernos que são instalados no posto de transformação (PT) para coletar as amostras de leituras e avaliar se o PT apresenta as voltagens de acordo para atender o consumidor. Na época do meu pai isso era feito na 'unha', isto é, a partir das 18h colocava-se um escada no poste onde encontrava-se o PT e fazia-se o monitoramento. A cada 15 minutos, em horário de pico, e a cada 30 minutos, fora de pico, ele subia e coletava as leituras com um aparelho (multímetro) até as 24h, para depois, sim, analisar as leituras.

Tempos depois apareceram equipamentos iguais aos tacógrafos, que utilizavam um disco de papel graduado, onde uma agulha (caneta) a tinta nanquim deslizava sobre o papel e ilustrava a leitura. A tinta vazava, sem falar do peso do equipamento.

Comento com meu pai outro avanço tecnológico que a CPFL possui: antes eram veículos precários, fuscas etc., e hoje são veículos novos, equipados; mobiliários modernos. Com um mouse, ligamos e desligamos subestações, executamos manobras, ligamos e desligamos equipamentos por meio do micro, coletamos leituras, sistemas GPS, smart grid etc. E vem muito mais por ai..."

Geraldo Fernando Borges

técnico  de serviços da distribuição júnior. 

CPFL Santa Cruz

 

Você poderá ler também o briefing de Geraldo Fernando Borges, autor desta carta.